UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO









Introdução ao Sistema de Sinalização

por Canal Comum no 7

e à Central Batik ELCOM 4KT



Relatório Técnico DCC.028/96



Márcio Henrique C. d'Ávila

Welter Luigi Silva

Antônio Otávio Fernandes

José Edgard Soares Júnior






SETEMBRO/96


Introdução ao Sistema de Sinalização por Canal Comum nº 7 e à Central Telefônica Batik Elcom 4KT

Márcio Henrique Camargos d'Ávila
Depto. Ciência da Computação / UFMG
marcio@dcc.ufmg.br

Welter Luigi Silva
Depto. Ciência da Computação / UFMG
wls@dcc.ufmg.br

Antônio Otávio Fernandes
Depto. de Ciência da Computação / UFMG
otavio@dcc.ufmg.br

José Edgard Soares Júnior
Divisão de Comutação / Batik Equipamentos S/A
edgard@construtel.com.br

Setembro de 1996

Resumo

A atual evolução tecnológica da informática e das telecomunicações trouxe novas possibilidades para a sinalização entre centrais telefônicas que resultaram na especificação do Sistema de Sinalização por canal comum nº 7 (SS7) pela International Telecommunication Union (ITU). Este sistema será agora incorporado à Central Telefônica ELCOM 4KT da Batik Equipamentos S/A, empresa conveniada com o Departamento de Ciência da Computação da UFMG desde dezembro de 1995. O presente trabalho apresenta uma introdução ao sistema de sinalização SS7 e seus protocolos, bem como uma visão geral da arquitetura de hardware e software da central ELCOM 4KT.

Introdução

A rápida evolução tecnológica nos campos da informática e telecomunicações permitiu que acontecesse uma verdadeira revolução nas aplicações de telefonia [AF91]. A telefonia, através de um processo de transformação, se misturou à informática, não sendo mais possível fazer uma separação clara entre elementos como computação, comunicações e telefonia.

O advento da digitalização de sinais, tais como imagens fixas ou em movimento, figuras e principalmente voz, forçou o aparecimento de uma rede de transporte de dados aplicável a vários tipos de dados indistintamente. Esta rede, atualmente, está se sobrepondo à rede de telefonia convencional com vantagens técnicas e econômicas.

Para que esta rede possa funcionar adequadamente, permitindo a criação de uma série de novas aplicações, o sistema de sinalização até então existente teve de ser modernizado. A sinalização telefônica, que consiste na forma de comunicação entre as centrais telefônicas, foi inicialmente implementada utilizando os próprios canais de voz para transportar informações na forma de tons e pulsos elétricos rudimentares. A rede de sinalização conhecida como "sinalização por canal comum SS7" [TR95], especificada e padronizada mundialmente pela International Telecommunication Union (ITU) [ITU93], veio criar uma rede de dados de alto desempenho que transporta, entre outras informações, a sinalização telefônica. Atualmente, poucos países possuem o domínio da tecnologia de sinalização por canal comum.

No Brasil, a Batik Equipamentos S/A desenvolveu a ELCOM 4KT [Bat96a], uma central telefônica digital tipo CPA-T de pequeno porte [Tel93], baseada em um sistema de computação distribuído com computadores PC-compatíveis interconectados por uma rede local. Com o aparecimento da tecnologia denominada Computer Telephony [HN94], que vem oferecendo uma série de soluções de hardware e software que permitem a criação de aplicações telefônicas em computadores, foi viabilizado o projeto de incorporação de uma interface para a rede de sinalização por canal comum SS7 na Central ELCOM 4KT, utilizando partes telefônicas e computacionais disponíveis no mercado. Contudo, os elementos já disponíveis devem ser combinados e estruturados adequadamente, de forma a funcionar na arquitetura distribuída da ELCOM 4KT.


Parte I: Introdução ao Sistema de
Sinalização por Canal Comum nº 7

Sistema de Sinalização nº 7

As centrais telefônicas são interligadas através de redes telefônicas, que utilizam certos protocolos de comunicação para o estabelecimento de ligações telefônicas, controle de tarifação, supervisão, gerenciamento de rede, e troca de informações necessárias para processamento de aplicações distribuídas. Estes protocolos são conhecidos como sistemas de sinalização [AM&RS90].

Os primeiros sistemas de sinalização utilizados nas centrais automatizadas se basearam totalmente na codificação de informações bastante simples em sinais (pulsos) elétricos - sinalização E&M - ou, posteriormente, em combinações de tons audíveis - sinalização MFC - transportados pelo próprio canal de voz, ou seja, pelo mesmo caminho da conversação. Este tipo de sinalização é dita associada a canal e é ilustrada na Figura 1(a). Estes tipos de sistemas ocupam canais de voz desde o momento em que o originador inicia a discagem - mesmo que a chamada efetiva não chegue a ser estabelecida - e são muito limitados quanto à diversidade de informação que podem representar.

Figura 1: Canais de sinalização e voz entre centrais telefônicas
(a) Sinalização associada a canal (E&M, MFC)
(b) Sinalização por canal comum SS7

A idéia do Sistema de Sinalização por Canal Comum nº 7 (SSCC7, ou em inglês, Signaling System #7 - SS7), especificado e padronizado mundialmente pelo ITU-TSS (International Telecommunication Union -Telecommunication Standardization Sector), é fazer com que as informações de sinalização e controle não transitem no próprio canal de voz da conexão correspondente, e sim através de uma rede de dados independente, de alto desempenho. Separando-se em uma rede própria os circuitos de sinalização, os canais de voz podem permanecer livres enquanto não se iniciar uma efetiva chamada ao usuário distante, aumentando a disponibilidade de canais de voz sem a instalação de circuitos de voz adicionais. A Figura 1(b) mostra uma configuração possível baseada na sinalização por canal comum.

Na rede SS7, várias informações distintas podem ser empacotadas e então transportadas por um único canal comum. Além de tornar mais eficiente a aplicação telefônica, a sinalização por canal comum permite novas facilidades e é aberta a novas aplicações, tais como sinalização da RDSI - Rede Digital de Serviços Integrados (ou, do termo em inglês, ISDN) [ITU88] [TK&MM90], controle de aplicações de telefonia celular, suporte à "Rede Inteligente" (RI) e outras.

Fundamentos da rede SS7

Uma rede de telecomunicações servida por uma sinalização por canal comum é composta por um número de nodos de processamento e comutação interconectados por enlaces (vias) de transmissão.

Todo nodo na rede SS7 é chamado genericamente de Ponto de Sinalização (PS). Todo ponto de sinalização tem a capacidade de realizar a discriminação de mensagens (ler o endereço e determinar se a mensagem é para este nodo). Existem várias classificações de pontos de sinalização, de acordo com sua função na rede de sinalização. Entre elas, podemos destacar:

Além disso, nas redes inteligentes (RI) e nas Advanced Intelligent Networks (AIN), temos o SCP - Service Control Point - responsável pelo acesso à base de dados da RI e o SMS - Service Management System - que provê a interface humana à base de dados, bem como a capacidade de atualizá-la quando preciso.

Todo ponto de sinalização em uma rede SS7 é identificado por um código de endereçamento único, conhecido como point code.

A sinalização por canal comum usa vias bidirecionais de sinalização que transportam mensagens entre dois pontos de sinalização, denominados enlaces de sinalização (signaling links). Dois pontos de sinalização (PS) SS7 são ditos adjacentes se são diretamente interconectados por um enlace.

É importante destacar que usa-se o termo enlace de sinalização ou apenas enlace para designar a conexão entre dois pontos de sinalização a nível funcional (lógico) e o termo enlace de dados de sinalização para se referir à conexão física por onde passa o enlace.

Os enlaces são dispostos em conjuntos que interconectam diretamente os mesmos dois PS, chamados conjuntos de enlace (linksets, em inglês). Podem haver até 16 enlaces associados a um só conjunto de enlaces. Embora tipicamente um conjunto de enlaces inclua todos os enlaces paralelos (enlaces entre os mesmos dois PS), é possível haver mais de um conjunto de enlaces entre dois PS.

Um grupo de enlaces dentro de um mesmo conjunto de enlaces que têm características idênticas é chamado grupo de enlaces.

Além de linksets, um PS (ponto de sinalização) deve definir rotas. Rota é uma seqüência de linksets usada para atingir um certo destino. Um linkset pode pertencer a mais de uma rota. Uma coleção de rotas é chamada conjunto de rotas (routeset, em inglês) e um conjunto de rotas é associado a um só destino, permitindo que exista mais de uma rota para o destino de forma que, caso uma rota fique indisponível, haja uma rota alternativa.

Um destino é um endereço presente na tabela de roteamento de um PS. Destinos não precisam ser diretamente adjacentes ao PS, mas devem ser um código de endereçamento (point code) de um PS que pode ser atingido a partir deste. O PS não precisa conhecer todos os point codes entre ele e o destino, apenas seu próprio conjunto de enlaces que levará ao destino.

Para quaisquer dois pontos de sinalização para os quais há possibilidade de comunicação entre seus usuários, diz-se que há uma relação de sinalização entre eles. O modo de sinalização refere-se à associação entre o caminho tomado por uma mensagem de sinalização e a relação de sinalização a qual a mensagem se refere. Existem dois modos de sinalização possíveis em uma rede SS7:

O modo totalmente não-associado não é previsto para redes SS7, uma vez que os protocolos não incluem recursos para evitar chegada de mensagens fora de seqüência ou outros problemas que tipicamente surgem em um modo de sinalização não associado com roteamento de mensagens dinâmico.

Figura 2: Exemplos de associação entre a sinalização e os canais de voz

Protocolos da rede SS7

Os protocolos do SS7 são organizados em níveis, de maneira análoga às camadas do modelo de transporte de dados OSI (Open Systems Interconnections) para redes de computadores [AT93], publicado em 1992 pela ISO (International Standards Organization). São 4 os níveis no SS7; os três níveis de menor hierarquia compõem o Subsistema de Transferência de Mensagens (Message Transfer Part - MTP) e correspondem, em essência, aos três primeiros níveis do modelo OSI. No nível 4 do SS7 - que corresponde à camada de Aplicação do modelo OSI - podemos ter vários subsistemas de usuário (User Parts), como o Telephone User Part (TUP) e o ISDN User Part (ISUP).

Para suportar outras aplicações na rede, dois componentes foram criados no SS7: o Signaling Connection Control Part (SCCP), que complementa os serviços do MTP para torná-lo funcionalmente equivalente ao nível de rede do modelo OSI, e o Transaction Capabilities Application Part (TCAP), que fornece um conjunto de protocolos e funções usados por aplicações distribuídas na rede para que essas possam se comunicar. A relação entre os níveis do SS7 e o modelo OSI é ilustrada na Figura 3.

Figura 3: Os níveis do SS7 e sua relação entre as camadas do modelo OSI

O Subsistema de Transferência de Mensagens (MTP)

O Subsistema de Transferência de Mensagens (Message Transfer Part - MTP) é o protocolo de transporte usado pelos outros protocolos de nível acima no SS7. O MTP provê às demais camadas do SS7 os seguintes serviços:

O MTP é subdividido em três camadas: níveis 1, 2 e 3, que correspondem respectivamente ao níveis físico, enlace e rede do modelo OSI.

O nível físico do MTP (MTP1) é o responsável pela conversão de dados digitais em uma seqüência de bits para transmissão através da rede. O padrão SS7 não especifica qualquer interface ou taxa de transmissão de dados para esse fim. Desta forma, estes parâmetros ficam determinados principalmente pelo requerimento de custo/desempenho da rede sobre a qual o sistema será implantado.

O nível 2 (MTP2) provê detecção e correção de erros e seqüenciamento de todos os pacotes de mensagens do SS7. Assim como no modelo OSI, este nível é responsável apenas pela transmissão e recepção de dados entre dois nodos adjacentes na rede. Este nível não tem conhecimento do destino final da mensagem.

O último e mais complexo nível é o MTP3. Nesta camada - nível de rede - encontram-se as funções necessárias para a transferência de mensagens entre pontos de sinalização (PS). As funções da rede de sinalização podem ser divididas em duas categorias básicas:

A Figura 4 ilustra a estrutura funcional do MTP nível 3, mostrando o fluxo das mensagens provenientes dos níveis 2 e 4 e a relação entre as funções de tratamento de mensagens e de gerência da rede de sinalização.

Figura 4: MTP Nível 3 - Funções e fluxo de mensagens

O tratamento de mensagens de sinalização consiste em rotear, discriminar e distribuir as mensagens. Quando uma mensagem é recebida, ela é passada pelo MTP2 ao MTP3 para que seja discriminada. A discriminação de mensagens determina a quem a mensagem é endereçada. Caso o destino da mensagem seja o endereço local (do nodo receptor), a mensagem é passada para a distribuição; caso contrário, esta é passada para o roteamento. A distribuição consiste em identificar o destinatário da mensagem - seja um componente da gerência ou um usuário no nível 4 - e repassá-la para este destinatário, ou realizar o tratamento necessário caso o usuário não esteja disponível. Já o roteamento determina o enlace de sinalização de saída baseado no destino da mensagem, procurando manter uma boa partição de carga.

O objetivo da parte de gerência de rede do MTP3 é possibilitar reconfiguração da rede de sinalização no caso de falhas nos enlaces ou pontos de sinalização e controlar o tráfego no caso de congestionamentos ou bloqueios. A gerência da rede de sinalização consiste de 3 funções: gerenciamento de tráfego, gerenciamento de rota e gerenciamento de enlaces. Sempre que ocorre a mudança do status de um ponto de sinalização, rota ou enlace, essas funções são ativadas.

Normas aplicáveis

A especificação mundial do SS7 está na série Q.700 de recomendações da ITU Telecommunication Standardization Sector (ITU-T), órgão permanente da International Telecommunication Union (ITU), originalmente publicadas no "Livro Azul CCITT" (CCITT Blue Book) em Melbourne, novembro de 1988, Fascículos VI.7-9. A maior parte das recomendações da série Q.700 foram revisadas pelo ITU-T Study Group XI (1988-1993) e aprovadas em Helsinki, em março de 1993.

As principais recomendações da ITU-T de especificação da rede SS7 e seus componentes estão relacionadas abaixo, por assunto.

Assunto Recomendações ITU-T
Introdução ao Sistema de Sinalização Nº 7 (SS7) Q.700
Message Transfer Part (MTP)

    Descrição funcional do MTP do SS7
    Enlace de dados de sinalização (MTP1)
    Enlace de sinalização (MTP2)
    Funções e mensagens da rede de sinalização (MTP3)

Q.701-Q.704, Q.706 e Q.707

    Q.701
    Q.702
    Q.703
    Q.704

Telephone User Part (TUP) Q.721-Q.725
Data User Part (DUP) Q.741 (detalhada: X.61)
ISDN User Part (ISUP) Q.761-Q.764, Q.766-Q.768
Serviços suplementares de ISDN Série Q.73x
Signaling Connection Control Part (SCCP) Q.711-Q.714, Q.716
Transaction Capabilities (TC/TCAP) Q.771-Q.775
Gerenciamento da rede SS7 (OMAP, ASE) Q.750-Q.755

As seguintes recomendações da ITU descrevem outros aspectos mais específicos, relacionados ao sistema de sinalização SS7:

Assunto Recomendações ITU-T
Estrutura da rede de sinalização Q.705
Numeração de point codes de sinalização internacionais Q.708
Hypothetical signaling reference connection Q.709
MTP Simplificado para pequenos sistemas (aplicação PABX) Q.710
Especificação de teste para os diversos componentes do SS7 Série Q.78x

Outras informações sobre as recomendações da ITU-T podem ser obtidas através da Internet no site WWW (World Wide Web) da própria ITU, pelo seguinte endereço (URL):

http://www.itu.ch/publications/itu­t/itutrec.htm

No Brasil, a Telebrás (endereço na WWW: http://www.telebras.gov.br), responsável pela especificação dos padrões nacionais, definiu normas nacionais para adequação da sinalização SS7. São aplicáveis ao projeto do Sistema de Sinalização n°7 com sinalização TUP na central ELCOM 4KT as seguintes Práticas TELEBRÁS:

Assunto Práticas TELEBRÁS
Requisitos Mínimos do MTP # 220-250-711
Subsistema de Transferência de Mensagens - MTP # 220-250-735
Subsistema de Usuário Telefônico, Agosto de 1987 # 210-110-724
Testes da TUP # 210-110-783
Testes de Interfuncionamento da TUP # 210-110-725
Especificação Geral - Central CPA-T de Pequeno e Médio Portes, Outubro de 1993. # 220-250-724


Parte II: Introdução à Central Telefônica Batik ELCOM 4KT

A Central Telefônica Elcom 4KT

A ELCOM 4KT é uma central telefônica pública digital CPA-T - com Controle por Programa Armazenado de comutação Temporal - de pequeno porte, qualificada pela Telebrás para até 4.000 terminais, desenvolvida pela Batik Equipamentos S/A, fabricante de centrais telefônicas públicas (utilizadas pelas redes telefônicas) e centrais privadas (PABX). Na sua capacidade típica, a Central ELCOM 4KT atinge 4096 assinantes, aos quais podem estar ligados aparelhos telefônicos comuns ou públicos, bem como equipamentos tipo PABX, controlador de terminal BINA e terminais digitais a 64 Kbps.

A central atende a estreitos requisitos de confiabilidade esperados para uma central telefônica pública deste porte, que incluem:

Para tanto, a Central ELCOM 4KT possui uma arquitetura distribuída de processamento [AT95] em tempo real, multi-tarefa, multi-usuário e com tolerância a falhas.

A Central tem uma estrutura modular, com 1 a 16 módulos, também chamados unidades. Uma unidade consiste de uma CPU PC-compatível conectada a um barramento proprietário da Batik, ao qual estão ligadas as diversas placas de assinantes (terminais), juntores (responsáveis pela conexão entre centrais) e demais elementos necessários para a funcionalidade da central. A CPU possui também memória e placas multi-I/O, de rede e de modem interno.

Na CPU de cada unidade, é executado um Núcleo Operacional multi-tarefa e, sobre este, um Programa Controlador, ambos desenvolvidos pela Batik. As CPUs das diversas unidades comunicam-se através de uma rede local (LAN) utilizando uma topologia linear e protocolo Ethernet à velocidade de 10 Mbps, conforme apresentado na Figura 5.

Figura 5: Arquitetura da central ELCOM 4KT

A Central ELCOM 4KT pode então ser vista como um sistema de computação distribuído baseado em rede local, onde os elementos de processamento são computadores com periféricos telefônicos. Esta visão se enquadra na recente tecnologia de Computer Telephony, que possibilitou a especificação para o ELCOM 4KT de uma interface para a rede de sinalização por canal comum [Bat96b] aproveitando hardware e software comercialmente disponíveis para a plataforma PC. Esta sinalização será utilizada inicialmente para a aplicação telefônica (TUP), mas também oferece suporte a toda uma gama de aplicações (ISUP, telefonia celular, RI, etc.).

Outras possibilidades de expansão para a Central incluem aumento da capacidade para até 10.000 assinantes, uso de um sistema operacional comercial (aberto) - como o QNX ou o Unix - e software comercial para protocolos de comunicação (X.25, TCP/IP e outros).

Arquitetura de hardware da Central ELCOM 4KT

Cada unidade da central ELCOM 4KT possui uma unidade central de processamento (CPU) composta basicamente por:

As demais placas da central são conectadas ao barramento de controle que pode acomodar até 23 placas. Os principais tipos de placas são descritos a seguir:

Cada tipo de placa pode ser acomodada em um subconjunto de posições dentre as 23 existentes. Existe interseção entre os conjuntos de posições possíveis entre dois tipos de placas. Isto possibilita várias configurações de recursos em cada unidade da central, de acordo com a utilização da central na rede telefônica.

Arquitetura de software da Central ELCOM 4KT

O cerne do software da Central ELCOM 4KT é o seu Programa Controlador, totalmente desenvolvido pela Batik, que é carregado em cada unidade - de uma memória FLASH para a memória RAM da CPU - no processo de inicialização ou reinicialização (boot).

No sistema ELCOM 4KT o programa controlador interage praticamente com todos os circuitos, detectando e tratando a ocorrência de eventos. Pode interagir também com um microcomputador, tanto à distância, através de uma linha telefônica e um modem, quanto localmente, através de uma interface serial.

O programa controlador do ELCOM 4KT está estruturado em 4 blocos distintos, a saber:

O bloco de Processamento de Chamadas é o principal objeto de interesse para a implementação do sistema de sinalização SS7. Este bloco, responsável efetivo pela funcionalidade dos assinantes e pela interação com outras centrais, atualmente já opera com as sinalizações E&M e MFC.

A Figura 6 apresenta uma estrutura modular simplificada do bloco de Processamento de Chamadas, com seus principais componentes, descritos a seguir:

Figura 6: Estrutura modular do processamento de chamadas da Central ELCOM 4KT

Na figura foram também apresentados, em linha tracejada, os novos componentes a serem incluídos em função da implementação da sinalização por canal comum SS7. De maneira similar às formas de sinalização já existentes, o TUP também deve interagir com o CJU. O relacionamento entre o TUP e os níveis do MTP na central ELCOM 4KT é apresentado na seção seguinte.

Sinalização por canal comum SS7 na central ELCOM 4KT

Um dos projetos do convênio entre o Departamento da Ciência da Computação da UFMG e a Batik Equipamentos S/A consiste na implementação da sinalização por canal comum SS7 na Central ELCOM 4KT. Neste projeto, o DCC contribui principalmente na implementação do Subsistema de Transferência de Mensagens (MTP). Este projeto visa inicialmente a aplicação de Usuário Telefônico (TUP). Contudo, a realização deste trabalho possibilita a incorporação de muitas outras aplicações suportadas pela rede de sinalização SS7, tal como a rede digital de serviços integrados (RDSI).

A rede de sinalização SS7 na Central ELCOM 4KT será implementada de forma a satisfazer as especificações das normas e recomendações da Telebrás [Tel-a] [Tel87]. Será feita também uma adequação da especificação do sistema de sinalização SS7 à arquitetura de hardware e software da Central ELCOM 4KT.

Por ser uma central telefônica, a ELCOM 4KT já possui uma estrutura propícia para implementação do Subsistema de Usuário Telefônico (TUP). Entretanto, é necessário um estudo detalhado para a adequação do MTP à estrutura da central. Além disto, deve-se considerar neste estudo os requisitos mínimos de confiabilidade e desempenho para o Subsistema de Transferência de Mensagens [Tel-b] .

O nível 1 do MTP será totalmente implementado por hardware, através de uma adaptação da estrutura já utilizada na Central ELCOM 4KT para comunicação entre centrais que utiliza feixes PCM de 2048 Kbps com 32 canais de 64 Kbps. Portanto, os enlaces de sinalização serão extraídos dos feixes PCM e terão como função exclusiva transportar os dados da rede de sinalização.

Para implementação do nível 2 do MTP, a Batik Equipamentos S/A adotou a solução de placas comerciais que implementam este nível utilizando hardware/firmware. Estas placas podem ser utilizadas diretamente no barramento da placa-mãe PC da central, uma vez que esta também é uma placa comercial. Cada placa MTP2 corresponde a um enlace de sinalização. Para efeito de tolerância a falhas, as placas devem ser distribuídas entre as unidades da central. Como a ELCOM 4KT não utiliza um sistema operacional comercial, deve ser implementada uma interface de software (driver) para o controle da placa MTP2.

O nível 3 do MTP será inteiramente implementado em software e deve interagir com o MTP2 e o TUP, ambos distribuídos na Central. Como já foi descrito nas sessões anteriores, o MTP3 pode ser dividido em dois conjuntos de funções: gerência da rede de sinalização - gerenciamento do MTP (GMTP) e tratamento de mensagens de sinalização (TMS). A Figura 7 mostra a relação entre as camadas do SS7 na Central ELCOM 4KT.

Figura 7: Estrutura do software de SS7 na Central ELCOM 4KT

A Gerência do Subsistema de Transferência de Mensagens (GMTP) deve apresentar uma arquitetura centralizada apropriada para suas funções de gerenciamento, embora deva existir um mecanismo de gerenciamento duplicado ou reserva que garanta a tolerância a falhas e continuidade de funcionamento do módulo.

O TMS interage com instâncias do TUP e qualquer outro módulo usuário de nível 4 presente, com as diversas instâncias do MTP2 e com o GMTP. Para uma adequação do TMS à estrutura de software já existente na Central ELCOM 4KT, é preciso considerar que uma arquitetura distribuída facilita a comunicação com os níveis 2 e 4, enquanto que uma arquitetura centralizada condiz melhor com a estrutura do GMTP.

Para configuração e supervisão da sinalização por canal comum na Central ELCOM 4KT, o MTP3 deve se comunicar com o equipamento de supervisão da central telefônica, também denominado Centro de Supervisão Remota (CSR). O CSR é conectado à central utilizando interface serial ou modem.


Referências

[AF91] Ferrari, Antônio M., Telecomunicações: Evolução & Revolução, Ed. Érica, 1991.

[TR95] Russell, Travis, Signaling Systems #7, Ed. McGraw-Hill, 1995.

[ITU93] International Telecommunication Union - Telecommunication Standardization Sector (ITU-TSS), "Specifications of Signaling System No. 7", CCITT Blue Book - 1988, vol. VI, Fascículo VI.7, Recomendações Q.700-716, Revisadas pelo ITU-T Study Group XI (1988-93), Helsinki, Março 1993.

[Bat96a] Batik Equipamentos S/A., Descritivo Técnico do Sistema ELCOM 4KT, 2ª ed., 1996.

[Tel93] TELEBRÁS, "Especificação Geral - Central CPA-T de Pequeno e Médio Portes", Prática Telebrás # 220-250-724, Outubro 1993.

[HN94] Newton, Harry, Newton's Telecom Dictionary, Flatiron Publishing, Inc., 8ª ed., Novembro 1994.

[AM&RS90] Modarressi, Abdi R., "Signaling System No. 7: A Tutorial", IEEE Communications Magazine, Julho 1990.

[ITU88] International Telecommunication Union - Telecommunication Standardization Sector (ITU-TSS), "Integrated Services Digital Network (ISDN) - Overall Network Aspects and Functions, ISDN User-Network Interfaces", CCITT Blue Book - 1988, vol. III, Fascículo III.8, Recomendações I.430-431, Genebra, Suíça.

[TK&MM90] Kearns, Timothy J. e Mellon, Maureen C., "The Role of ISDN Signaling in Global Networks", IEEE Communications Magazine, Julho 1990.

[AT93] Tanenbaum, Andrew S., Redes de Computadores, 2ª Edição, Ed. Campus, 1994; tradução autorizada da edição publicada por Prentice-Hall, 1989.

[AT95] Tanenbaum, Andrew S., Distributed Operating Systems, Prentice-Hall, 1995.

[Bat96b] Batik Equipamentos S/A., Especificação Técnica - Sistema de Sinalização por Canal Comum nº 7 no ELCOM 4KT, 1996.

[Tel-a] TELEBRÁS, "Subsistema de Transferência de Mensagens - MTP", Prática Telebrás # 220-250-735.

[Tel87] TELEBRÁS, "Subsistema de Usuário Telefônico - TUP", Prática Telebrás # 210-110-724, Agosto 1987.

[Tel-b] TELEBRÁS, "Requisitos Mínimos do MTP", Prática Telebrás # 220-250-711.


© 1996, Convênio DCC - Batik. Conversão por Márcio H. C. d'Ávila